despite everything flows…


Helga Moreira

 

Starved, on edge

Starved, on edge

verses have no ideas

nor does this matter;

neither does delirium serve them

as each day they roam the waste lands.

And if from here I’m facing the front

of the sea the river their transparency

what I see is Charon’s boat

or could it be Narcissus’ mirror?

If a life is born while another

ceases – who will know

in a light simple way

or in others,

more exactly?

Translated by Ana Hudson, 2011

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Helga Moreira

Á míngua, à flor da mão

 

Á míngua, à flor da mão

um verso não tem ideias

nem disso faz questão;

tão pouco delírios que os sirvam

de andar aos dias, por baldios.

E se defronto aqui de fronte

o mar em transparência o rio

o que vejo é a barca de Caronte

ou será o espelho de Narciso?

Se uma vida nasce enquanto

outra finda – quem o saberá

em modo leve simplesmente

ou de outros,

mais exactamente?

 

fot. A. Bober

fot. A. Bober

fot. A. Bober

fot. A. Bober

.

fot. A. Bober

fot. A. Bober

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fot.A.Bober

fot.A.Bober

płyniemy

fot. A. Bober

z jednego źródła

fot. A. Bober

fot.A.Bober

fot.A.Bober